domingo, 17 de fevereiro de 2008

















Não dessa vez... não vai dar pra dizer que é só brincadeira. Talvez nos fosse mais conveniente. Talvez me fosse mais tranquilo. Talvez te fosse mais confortável.
Talvez seja melhor mudarmos de assunto. Talvez seja melhor não matar a saudade. Talvez seja melhor deixar o talvez de lado. Mas quem sabe o que passa por dentro? Quem sabe o que deve ser dito?
Talvez eu te olhe nos olhos. Talvez eu me vista de anjo. Talvez eu tire minhas roupas.
Talvez eu te prenda por aqui. Aqui. Só aqui.

Vivamos!

sábado, 16 de fevereiro de 2008
























Por quantos trechos andamos num silêncio que nos entregava os pensamentos. Em quantas risadas nos perguntamos se éramos nós. Quantos olhares foram precisos para dizer o que a boca nunca conseguiu. Quantos "adeus" tive que dizer à mim mesma pra te tirar daqui, desentranhar, te adorar... e tudo foi bem feito...
Hoje, está à caminho. Não sei o que está sentindo, não sei que alegria ela te leva, mas alguma deve haver. Eu? Eu sou a pedra. Cuidadosamente colocada. Alojada no lugar exato onde vai tropeçar. Tropeça no beijo, trumpica no "quem é essa?", esborrache-se. Anda com ela nos mesmos trechos e preenche o espaço dos nossos silêncios com alguma bobagem que ela há de te dizer. E. quando ela disser, sorria. Sorria perguntando-se se é ela. Enforque-se com a resposta. Olhe bem pra ela. Olhe em volta. Olhe de volta pra ela e assuma o título que resoveu honrar.
Pouco pra mim? Nunca foi. Pouco pra você é você mesmo. Você, que escolhe as baixinhas pra parecer mais alto. À mim não encanta. À você não levanta. Caminhe agora.
Segurem as mãos, segurem os cabelos, segurem-se. Sem medo à quem possa se amedrontar. Não há o que temer.
Há muito me tornei o inalcançável. Talvez sempre tenha sido, embora num minuto de silêncio ele tenha pensado o contrário, sorrido por isso e me olhado como (quase) só ele soube olhar. Mas logo passou e aqui estamos. Eu de um lado, ele do outro, ela do lado.
"Minhas mãos estão cansadas".
Canseira mesma das palavras que já te dediquei. Palavras dadas à quem não aprendeu a ler. À quem não tem quem ensine.
Em silêncio, agora sozinha, sem pensamentos, sem nada mais. Apenas uma pedra. A pedra que não escolhi ser. A pedra que sou.

Em paz, atrás, dando adeus ao pobre incapaz.

Vivendo, escrevendo, pondo o mundo nos meus mundos de remendo!

Vivamos!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

"Joga fora no lixo"


Mas não jogue qualquer coisa! A lixeira é cara e não é sua!

Brasil de terra calma, Brasil de escrava Isaura, Brasil que dói na alma.

A primeira vez em que as mãos abriram a porta, na primeira vez em os olhos olharam pra dentro. Nunca vou me esquecer da sensação que esse lugar provocou. Da paixão que não precisava de mais nada para existir. Eram só os meus montes de tijolos, nem tão meus assim, fazendo de uma menina sua moradora mais devota.
A casa em que chorei por tantas noites, na companhia de quem não sei se mereceu compartilhar. A mesma casa que não foi apenas o palco dos meus meses mais felizes: foi a própria felicidade.
Todos os dias em que entro no meu lugar percebo que a vida, definitivamente, muda. Que nada precisa mudar. Que tijolos não se mexem. Que tudo pode estar como sempre foi. Mas que você nunca será igual por muito mais que dois dias. E isso, definitivamente, transforma qualquer lugar, qualquer pessoa, qualquer sentimento.
O que fica é o que você vai lembrar. Nada além de lembranças pra mim é a vida. Porque tudo vira passado em um segundo. Porque você nunca vai estar no futuro. E o presente me parece curto demais pra ser sentido.
Que as paixões se renovem sempre. Que as boas ilusões sejam sempre cultivadas. Porque é de sensações que se faz uma vida. Porque é de sentimento que se faz um humano.
Que os dias passem, que as pessoas mudem, que a vida se renove. Não um desejo. Mera constatação. O desejo é de que existam corações apertados de felicidade enquanto a vida for vivida. Enquanto for sentida.
E que as portas sempre sejam abertas. Que os olhos sempre se apeteçam com a paisagem.
Entre. Saia. Mas fique um tempo alí dentro. E, quando sair pela última vez, sinta o orgulho de ter estado alí dentro. Sinta o imenso prazer de ter tido uma vida.

Vivamos!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Cariño


Hoje tirei a noite para ler. E ler, por aqui, sempre traz acima a paixão por palavrear.
E, na verdade, tirei meus minutos insones para reler. Nada de grandes obras. Apenas e-mail's de uma velha paixão.
Frases soltas, juramentos tão eternos quanto eram no momento em que foram escritos. Acabada a paixão sobra apenas a risada inevitável de se ver há anos atrás. De se ver hoje e achar que está melhor. Apenas uma percepção. Palavras de hoje que daqui há dois anos jogarão no mesmo time. Palavras que serão sorridas.
E está tudo fugindo da minha normalidade. Não escrevo assim. Esse não é meu diário, nunca pretendi que fosse. Mas se hoje deixo que as coisas me tomem, que tomem todas.
Pois falemos de velhos amores. As declarações desmedidas, tudo que já foi o mais desejado e que hoje não passa de risada fácil de uma madrugada de segunda (em férias).
E como são boas as férias, não?
Voltando.
Não. Indo. Não 'me encanta' voltar. Eu quero ir. Ir pro que tem de novo, de bueno, aos novos aires.
Hablar con el corazión. O portunhol ao qual resolvi me dedicar. Que inspira os dias. As noches.
Que vengan las noches. Ven a mi lado.

Besos... buena vida!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Nada, amigo.



















E se sentir que nenhum esforço a mais compensa, pára. Deixa as mãos lavadas empurrarem pro contorno.
Mas se sentir que não há sussurro que arrepie, então assopra. Faz bem errado pra poder chorar depois.
Ah, se não adiantar dizer mais nada, abraçar o seu ninguém, lamentar o mal amado, então deita, rola, morre por dentro e pula, pula por fora e cai fora.
Já não há dia que te espere. Não há lugar que te caiba. Não há nada que te ameace, porque é nada que tens aí.
Tens nada, amigo. Tens porra nenhuma. Tens malemá um pulso como ingresso.
Te encontro lá embaixo. Devagar e pela sombra.
Te encontro.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008























Uma música pra elevar o coração, um momento pra entrar em ação, um papel pra sentir que é verdade. Vamos.
E quantos são os dias em que fica frágil ser assim. As vontades de tirar de perto o que te abaixa a cabeça. Te empurra e você assiste, respeitosamente, no lugar de sempre. Respeitosamente massacrado.
E quão bons são os dias em que todos são colocados em seus lugares. Você no seu. No topo. Eles abaixo. No chão. No lixo.
E que satisfação me traz amassá-los e aprender que ser alheia não é tarefa fácil (mas que satisfação me traz).
E nunca houve, nunca haverá, jamais virá pra cá alguém melhor que você. E ninguém nunca terá beleza que supere a sua. Riso que encante mais. Olhar que perturbe igual. No seu espaço, o que lidera. Na sua vida, quem manda. As suas escolhas, o único que veta.
E como é bom sacudir o lenço à voces, queridos (as)... dar o adeus mais sincero. O que parece que te leva pra perto de novo, mas que você sabe ser último.
Porque me faz bem não ser o alvo do que te atira, do que te compõe. Me deixa forte, me deixa leve, me deixa ser Roberta.
Eu quero vida enquanto houver uma pra viver! Quero amor enquanto existir um pra enlouquecer. Quero um vício enquanto existir prazer em errar.
Meu verbo mais bonito. Meu prazer em viver. Minha satisfação em ser todas minhas escolhidas miudezas, formando uma.

Vivamos... mas vivamos bem!