segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010



















Não sei se já é um sinal de esclerose, mas estou adorando ficar velha. Certo, velha não. Mais velha.
Não sei também se é fase ou coincidência mas os dias tem sido mais leves. E não falo das últimas semanas.
Os anos tem me trazido alguma calma. Os remédios também, é verdade, mas os anos muito mais.
Quando fiz 21, comprei uns baldes, alguns panos, chantageei amigos em troca de vassouras, lixeiras, fronhas... e fui morar sozinha. Levei muito mais sonho na traseira da pampa (que era mais do que suficiente pra minha quantidade de pertences) que pertences em si. E o reboliço daqueles anos parece que só está se acalmando agora.
É mais tranquilo viver. Sim, é verdade também que muita coisa prática ajuda na diminuição das ansiedades, mas eu sei que o tempo tem sido generoso comigo.
É estranho, mas hoje sempre me pareceu muito melhor que ontem.

Quero muito tempo. Quero que dê tempo de fazer tudo que nasci pra fazer.
Quero um canudo na mão, um buquê pro alto e um filho no colo.
Depois disso, o viver não precisa mais ser pensado. Basta-se.

Vivamos.













Daqui do chão que tenta me refrescar, na noite mais quente do meu ano, penso que tudo vira cotidiano. Mas não um cotidiano novelesco, com toques de novidade a cada capítulo. Cotidiano verdadeiro, em que olho pras coisas e não as enxergo mais. Aquela decoração que há um tempo fiz na parede, meticulosamente pensada para combinar com os móveis e meu estilo, já não vejo mais. Está alí, eu sei. Mas só está. Não mais é.
Os meus amigos estão em algum lugar, talvez animados ou entediados, não sei.
Meu Gomes dorme em seu quarto rosa e não quer ser acordado.
Hoje, está cada um no seu canto, cotidianamente quieto.
A televisão traz algum barulho ao quarto, que já nem posso mais chamar de desagradável.
Deitar no chão não me refrescou. Mas me fez ver a parede de novo. E ficou bonita...
Mas continuo aqui, cotidianamente estatelada, procurando palavras pra não deixar à quem lê pensando que é tristeza.
Nem tudo é tristeza.
Nem tudo é depressão.
A minoria é. A maioria é cotidiano.

Vivamos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Férias


Porque eu não aguento mais ouvir frases como...





"Então... o comprovante de endereço..."

"Meu RG? Ficou no setor"

"Mas pelo meu CPF você não consegue ver aí?"

"Oi, meu cartão não chegou..."

"Minha conta era lá do ciclo básico..."

"Quanto que dá pra tirar?"

"Eu acho que eu não tenho margem, mas vê aí o que você pode fazer pra mim"

"Só uma perguntinha..."

"Só uma perguntinha [2]: o que eu preciso pra financiamento de casa? É rapidinho..."

"Que senha de letras?"

"Mas ninguém me liga pra avisar?"

NÃO! Ninguém nunca te ligou e nem vai te ligar. Ande sempre com a merda dos seus documentos, leia antes de assinar, pense antes de financiar e vá pra puta que te pariu.

Enfim... férias.

=]

sábado, 30 de janeiro de 2010

Pai, os anjos, a melancia...

Ô pai...

Se tem um tipo de conselho que eu queria ouvir de você era esse. Você nunca errou e eu queria muito sentar pra te chorar todas as minhas dúvidas, os desencontros e tudo mais que vem acontecendo...
Eu confio nas suas palavras quando o tema é esse. Ou confiava. Porque você não é mais o mesmo, e embora isso não seja algo necessariamente ruim, pra esse caso, torna-se assim. E eu sei que não sente mais o mesmo amor por mim. Eu sei bem. E então, o que eu queria, era você como era antigamente e eu também, só pra isso. Depois poderíamos ir embora e passar uns bons meses sem nos falar.

E apesar de estar com o coração mais pra decidido que pra incerto, eu ainda assim queria que você me ouvisse e me falasse.

Obrigada aos anjos que aparecem na minha vida, me ligando só pra saber se já comi, se estou feliz, se uma melancia na cabeça me fará sorrir... eu agradeço imensamente.

Vivo por vocês.

Beijos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Me solta, Gardenal

Queria ter um demônio pra exorcizar. Uma revolta pra esbravejar aqui, com sangue subindo quente pelo rosto e as mãos tremendo pra digitar todas as palavras de ódio desordenadamente.

Mas estou tão calma...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Vem, SM...














Só pra registrar... o último dia, passados 624, com todos esses quilômetros nos ensinando a viver.

Agora vamos nos deleitar.

E também só pra registrar: obrigada por tudo. Foi a experiência mais verdadeira da minha vida.

Te mamo. Agora pertinho.

Te esperando.

Lindo.

=*

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


Cuida de você. Protege você. Poupa você.

Aprender a dar paz ao coração, calma ao estômago e tempo à lingua.

Cuida de você.